Simples Nacional na reforma tributária: o que muda e como decidir
O Simples Nacional não vai acabar, mas a reforma cria uma escolha estratégica que pode definir se sua empresa ganha ou perde clientes. Entenda as duas opções e como decidir a sua.
A pergunta que mais chega ao nosso escritório desde que a reforma tributária entrou em fase prática é direta: "o Simples Nacional vai acabar?" A resposta também é direta: não. O Simples continua existindo. Mas a reforma traz uma mudança que muita gente ainda não percebeu: a partir de agora, ficar no Simples passa a ser uma decisão estratégica, não automática.
E essa decisão pode definir se a sua empresa continua competitiva, ou se começa a perder clientes sem entender por quê.
Por que o Simples Nacional muda de figura
Hoje, a empresa do Simples recolhe quase tudo em uma guia única (o DAS), com uma alíquota reduzida. Esse modelo continua disponível. O problema aparece quando entram em cena o IBS e a CBS, os dois novos tributos da reforma (entenda o cenário completo no nosso artigo sobre o que muda em 2026).
A lógica do novo sistema é o crédito: quem compra de você aproveita como crédito o imposto que você destacou na nota. E aí está o ponto crítico:
Uma empresa do Simples no modelo tradicional transfere pouco crédito para quem compra dela. Para um cliente pessoa física, isso é irrelevante. Para um cliente que é outra empresa (B2B), pode ser um motivo para trocar de fornecedor.
As duas opções do Simples na reforma
A reforma cria, na prática, dois caminhos para a empresa do Simples Nacional:
- Permanecer no regime único (Simples "fechado"). Você continua recolhendo o IBS e a CBS dentro do DAS, com a alíquota do Simples. É mais simples e geralmente mais barato em carga, mas gera crédito limitado para seus clientes empresariais.
- Recolher IBS e CBS "por fora" (modelo híbrido). Você mantém os demais tributos no Simples, mas apura IBS e CBS pelo regime regular. Isso permite destacar e transferir o crédito cheio para clientes B2B, tornando você mais competitivo nesse mercado, ao custo de mais complexidade.
Como decidir qual caminho é o seu
Não existe resposta única. A escolha depende de para quem você vende:
- Vende para o consumidor final (B2C): comércio de varejo, serviços para pessoa física, food service. Aqui, seu cliente não usa crédito, então permanecer no regime único costuma ser a melhor opção: menos imposto e menos burocracia.
- Vende para outras empresas (B2B): indústria, atacado, prestadores de serviço para empresas. Aqui o crédito importa muito. Se seus clientes precisam de crédito cheio e você não oferece, eles podem migrar para um concorrente que ofereça. O modelo híbrido entra na conta.
- Vende para os dois públicos: o cálculo fica mais fino. É preciso simular o impacto nos dois cenários e, às vezes, repensar preços ou até a estrutura societária.
O erro que custa caro
O maior risco não é escolher o caminho "errado", e sim não escolher. Empresas que não simulam o impacto correm o risco de:
- Perder clientes B2B sem entender o motivo.
- Pagar mais imposto do que precisariam por estarem no modelo errado para o seu perfil.
- Descobrir tarde demais, quando a margem para renegociar contratos já passou.
A boa notícia: essa decisão é feita com antecedência e pode ser revista. Quem simula os cenários agora chega na virada com uma estratégia, e não com uma surpresa.
Próximo passo
Cada empresa do Simples tem um ponto de equilíbrio diferente entre carga tributária e competitividade. A única forma de saber o seu é simular os dois modelos com os seus números reais.
Fale com um especialista e receba um diagnóstico do impacto da reforma no seu Simples Nacional, sem compromisso. E se você quer entender também o efeito do recolhimento automático de tributos, veja nosso artigo sobre split payment e fluxo de caixa.
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